Lisboa, Junho de 2007
Era uma vez um coelhinho branquinho que vivia num prado muito verde, perto de um riacho de águas transparentes. O coelhinho logo ao acordar gostava tomar uma banhoca nas águas frescas e límpidas do riacho. Depois corria pelo prado muito verde até à horta do Sr. João e comia uma cenoura e uma tangerina. Já com a barriguinha mais aconchegada ia para a escola dos coelhinhos onde se divertia muito. Aprendia a contar cenouras, a escrever poemas ao sol e a brincar com os seus amiguinhos. Na escola haviam coelhos de vários tamanhos e de todas as cores do arco-íris. Uns eram mais gordos porque comiam muitas batatas ou não gostavam tanto de fazer ginástica e correr, outros tinham as orelhas maiores que outros, alguns tinham os bigodes muito grandes. Mas todos eram muito amigos mesmo ás vezes quando se zangavam. Tinham aprendido na escola que eram todos coelhinhos mesmo com cores, formas e maneiras de brincar diferentes. Uns gostavam mais de iogurte de morangos, outros adoravam comer uma rucula ainda havia quem preferisse comer uma maça. O coelhinho branquinho tinha muitos amigos mas aquele que ele gostava mais de brincar era com o coelhinho azul. O coelhinho branquinho tinha só um nome mas o seu amigo coelho azul tinha um nome que parecia que nunca mais acabava: coelho azul como o céu num dia lindo de sol, pela parte do pai e azul como o mar limpo num dia de verão, pelo lado da mãe. O coelhinho branquinho tratava-o apenas por amigo. E quando o branquinho o chamava, apesar de existirem outros coelhinhos azuis, chamava só por azul pois o coelhinho azul como o mar limpo num dia de verão e como o céu num lindo dia de sol sabia que era o seu amigo branquinho que o chamava. Eram dois coelhinhos muito bem dispostos que gostavam muito de dar cambalhotas, saltar e dançar. Ás vezes faziam o teatro dos coelhinhos e outras vezes para variarem faziam o teatro dos golfinhos o que era mais difícil porque os golfinhos davam saltos muito grandes com piruetas quando saíam da água. Os dois amiguinhos, o branquinho e o azul tinham aprendido muito sobre golfinhos com a professora coelhona dos olhos de mel. A professora dos coelhinhos gostava muito da natureza e tinha ensinado muito bem aos coelhinhos a protegerem as plantas, os outros animais e a não sujarem a terra e o mar. Uma vez a professora coelhona dos olhos de mel estava a ensinar a multiplicar golfinhos, a dividir coisas boas, a somar conchas e a diminuir o fumo dos carros quando os dois coelhinhos viram uma fotografia de golfinhos na praia perto da escola. Os dois olharam logo um para o outro. Tan, tan! Era a praia da gruta escavada na rocha pelo mar que os dois adoravam ir brincar depois das aulas. Mas eles nunca tinham visto nenhum golfinho aí. Só no jardim zoológico. No intervalo estavam os dois a combinarem como é poderiam ver o golfinho na sua praia quando apareceu a coelhinha cor-de-rosa com os olhos que brilhavam como a primeira estrela da noite. - Olá amiguinhos, eu já vi golfinhos na praia. -A sério? Perguntaram os dois ao mesmo tempo -Aonde? Como? Conta-nos! - Foi há muito tempo numa praia muito longe. Estava a tomar o almoço à sombra de uma cabana na praia com a minha mãe e os golfinhos estavam lá mas nós nem os víamos. Estávamos a comer uma feijoada tão boa que nem reparámos no espectáculo à nossa frente dos golfinhos aos saltos na rebentação das ondas. O meu pai estava a trabalhar ali perto e veio ter connosco à praia na sua hora de almoço. Como tinha passado a manhã no escritório, enquando se aproximava depois de sorrir para mim tinha muita vontade de olhar para o mar. De repente olhou e nem queria acreditar. Ao princípio nem percebia o que meu pai queria dizer. Vinha tão calminho e agora só fazia gestos e apontava até que por fim percebi. Golfinhos. E olhei. E foi mágico. Eles estavam ali, talvez uns 2 ou 3, como os meus anos na época, a brincarem mesmo à borda de água e mais outros 2 ou 3 um pouquinho mais afastados. Lindo. No mar saltavam felizes. O meu pai agarrou um caiaque, que é um barco pequenino, e no remo e saltou para dentro de água. O coelhinho branquinho e o azul ouviam a coelhinha cor-de-rosa de boca aberta e orelhas espetadas. - E depois? Perguntou o azul -Depois o meu atravessou no caiaque as ondas junto à praia e passeou-se devagarinho ao lado dos golfinhos. Eu também queria ir mas ainda não sabia nadar e fiquei a ver da praia com a minha mãe. Então tu já viste golfinhos no mar – disse o azul – ouvi dizer que é muito difícil distinguir os golfinhos no meio das ondas do mar. Sim nós vamos muitas vezes à praia que a professora coelhona com olhos de mel mostrou com os golfinhos e nunca vimos nenhum – disse o branquinho. Pois é – disse a coelhinha cor-de-rosa – o segredo contou-me um pescador é ficar a olhar muito calmamente para o mar. Temos mesmo que ter muita paciência no início. Depois começamos a sentir muita paz e a gostar. Só assim é que conseguimos ver os golfinhos livres do mar. Vou-vos contar um segredo mas prometem que não contam a ninguém. Claro que não – disseram o branquinho e o azul. Quando for grande vou ser treinadora de golfinhos livres no mar –disse muito baixinho a coelhinha cor-de-rosa.
