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sábado, 27 de novembro de 2010

Coelhinho branco

Lisboa, Junho de 2007


Era uma vez um coelhinho branquinho que vivia num prado muito verde, perto de um riacho de águas transparentes. O coelhinho logo ao acordar gostava tomar uma banhoca nas águas frescas e límpidas do riacho. Depois corria pelo prado muito verde até à horta do Sr. João e comia uma cenoura e uma tangerina. Já com a barriguinha mais aconchegada ia para a escola dos coelhinhos onde se divertia muito. Aprendia a contar cenouras, a escrever poemas ao sol e a brincar com os seus amiguinhos. Na escola haviam coelhos de vários tamanhos e de todas as cores do arco-íris. Uns eram mais gordos porque comiam muitas batatas ou não gostavam tanto de fazer ginástica e correr, outros tinham as orelhas maiores que outros, alguns tinham os bigodes muito grandes. Mas todos eram muito amigos mesmo ás vezes quando se zangavam. Tinham aprendido na escola que eram todos coelhinhos mesmo com cores, formas e maneiras de brincar diferentes. Uns gostavam mais de iogurte de morangos, outros adoravam comer uma rucula ainda havia quem preferisse comer uma maça. O coelhinho branquinho tinha muitos amigos mas aquele que ele gostava mais de brincar era com o coelhinho azul. O coelhinho branquinho tinha só um nome mas o seu amigo coelho azul tinha um nome que parecia que nunca mais acabava: coelho azul como o céu num dia lindo de sol, pela parte do pai e azul como o mar limpo num dia de verão, pelo lado da mãe. O coelhinho branquinho tratava-o apenas por amigo. E quando o branquinho o chamava, apesar de existirem outros coelhinhos azuis, chamava só por azul pois o coelhinho azul como o mar limpo num dia de verão e como o céu num lindo dia de sol sabia que era o seu amigo branquinho que o chamava. Eram dois coelhinhos muito bem dispostos que gostavam muito de dar cambalhotas, saltar e dançar. Ás vezes faziam o teatro dos coelhinhos e outras vezes para variarem faziam o teatro dos golfinhos o que era mais difícil porque os golfinhos davam saltos muito grandes com piruetas quando saíam da água. Os dois amiguinhos, o branquinho e o azul tinham aprendido muito sobre golfinhos com a professora coelhona dos olhos de mel. A professora dos coelhinhos gostava muito da natureza e tinha ensinado muito bem aos coelhinhos a protegerem as plantas, os outros animais e a não sujarem a terra e o mar. Uma vez a professora coelhona dos olhos de mel estava a ensinar a multiplicar golfinhos, a dividir coisas boas, a somar conchas e a diminuir o fumo dos carros quando os dois coelhinhos viram uma fotografia de golfinhos na praia perto da escola. Os dois olharam logo um para o outro. Tan, tan! Era a praia da gruta escavada na rocha pelo mar que os dois adoravam ir brincar depois das aulas. Mas eles nunca tinham visto nenhum golfinho aí. Só no jardim zoológico. No intervalo estavam os dois a combinarem como é poderiam ver o golfinho na sua praia quando apareceu a coelhinha cor-de-rosa com os olhos que brilhavam como a primeira estrela da noite. - Olá amiguinhos, eu já vi golfinhos na praia. -A sério? Perguntaram os dois ao mesmo tempo -Aonde? Como? Conta-nos! - Foi há muito tempo numa praia muito longe. Estava a tomar o almoço à sombra de uma cabana na praia com a minha mãe e os golfinhos estavam lá mas nós nem os víamos. Estávamos a comer uma feijoada tão boa que nem reparámos no espectáculo à nossa frente dos golfinhos aos saltos na rebentação das ondas. O meu pai estava a trabalhar ali perto e veio ter connosco à praia na sua hora de almoço. Como tinha passado a manhã no escritório, enquando se aproximava depois de sorrir para mim tinha muita vontade de olhar para o mar. De repente olhou e nem queria acreditar. Ao princípio nem percebia o que meu pai queria dizer. Vinha tão calminho e agora só fazia gestos e apontava até que por fim percebi. Golfinhos. E olhei. E foi mágico. Eles estavam ali, talvez uns 2 ou 3, como os meus anos na época, a brincarem mesmo à borda de água e mais outros 2 ou 3 um pouquinho mais afastados. Lindo. No mar  saltavam felizes. O meu pai agarrou um caiaque, que é um barco pequenino, e no remo e saltou para dentro de água. O coelhinho branquinho e o azul ouviam a coelhinha cor-de-rosa de boca aberta e orelhas espetadas. - E depois? Perguntou o azul -Depois o meu atravessou no caiaque as ondas junto à praia e passeou-se devagarinho ao lado dos golfinhos. Eu também queria ir mas ainda não sabia nadar e fiquei a ver da praia com a minha mãe. Então tu já viste golfinhos no mar – disse o azul – ouvi dizer que é muito difícil distinguir os golfinhos no meio das ondas do mar. Sim nós vamos muitas vezes à praia que a professora coelhona com olhos de mel mostrou com os golfinhos e nunca vimos nenhum – disse o branquinho. Pois é – disse a coelhinha cor-de-rosa – o segredo contou-me um pescador é ficar a olhar muito calmamente para o mar. Temos mesmo que ter muita paciência no início. Depois começamos a sentir muita paz e a gostar. Só assim é que conseguimos ver os golfinhos livres do mar. Vou-vos contar um segredo mas prometem que não contam a ninguém. Claro que não – disseram o branquinho e o azul. Quando for grande vou ser treinadora de golfinhos livres no mar –disse muito baixinho a coelhinha cor-de-rosa. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Era uma vez


Lisboa 23 de Março de 2010


Era uma vez um rapaz e uma rapariga...
Moravam um ao lado do outro mas não sabiam.
Tinham cruzado os mesmos locais. Mas em momentos diferentes.
Conheciam as mesmas pessoas. Algumas destas pessoas até achavam que um tinha a ver com o outro. Mas nunca ninguém se arriscou a apresenta-los.
Foram eles mesmos que se descobriram. Por eles mesmos.
Tinham um interesse comum. Que vinha do mais fundo deles mesmos. Da vontade de quererem ter prazer na vida. Mesmo. O que os fez procurarem pelo mundo, o mundo que se escondia em cada um deles. O que os fez porem os corpos a vibrarem. A libertarem a dor. A darem espaço para o prazer poder viver. No corpo de cada um. Dois seres muitos especiais. Como cada ser, únicos em si mesmo.
Mas " todos os animais são iguais mas uns são mais iguais do que outros".
E estes são muitos parecidos...

A procura de cada um por si próprio levou-os à meditação em Lisboa e a amigos comuns.
A vontade de partilhar algo em Portugal aprendido no estrangeiro foi o motivo de um encontro.
Que parecia que nunca mais acontecia. Ninguém os apresentava...
Ambos sabiam que o outro existia...perto...e sem forma de ser contactado..
Um em Itália. O outro na Holanda. Grupos. Vontade de estar em ligação. À distância. Novos instrumentos. Net. Redes sociais. Ambos a resistirem a entrarem nas redes. E ambos entraram na mesma rede com esses grupos. Facebook. Na mesma altura.
Quando ainda o FB estava no inicio. Quando ainda poucos portugueses aí estavam.
E de repente ele aparece no ecran dela...
E logo desaparece...
Numa rápida pesquisa aparece de novo num amigo comum...
E sai a primeira mensagem de um para o outro!
E logo a resposta. E um convite. Gentilmente declinado...
Os números de telemóveis são trocados.
Falam finalmente...
Ela tinha estado com um problema de saúde.
Incomum nela..
Ele fazia compras de natal com a filha.
Combinam finalmente um encontro.
Um chá ao fim da tarde de sábado.
Ele ía receber uma visita vinda do estrangeiro esse fim de semana.
Não sabe porquê (não sabia...) mas cancela-a de repente.
O trabalho na cidade tinha sido duro essa semana.
Vai descansar entre os pinheiros de Cascais.
No sábado do encontro quando vem para a esplanada do rio descobre que a Lua está em crescente. Quer cortar o cabelo. No mesmo cabeleireiro que ela vai. Sem saberem um do outro.
Liga-lhe. Diz-lhe da autoestrada " Olá tava a apetecer-me cortar o cabelo. Sabes é quarto crescente. Encontramo-nos daqui a uma hora?"
Ok- responde-lhe ela. Enquanto pega nas suas tesouras e começa a cortar o seu cabelo pensa: Uhau alguém que acompanha as fases da Lua. Vou aproveitar para eu mesma cortar o meu cabelo.
A noite já tinha caído. No início de Dezembro a noite começa cedo. E o frio também. Ele estava cá fora. Ela chega no seu Smart preto. Ele percebe logo que é ela. Diferente da fotografia no FB. Mas indiscutivelmente ela!
Tomam um chá tranquilos em frente ao rio. A conversa corre solta. Muito solta. Pontos comuns. Pontes comuns. Ui esta mulher é mesmo interessante. Gostava que fosse minha amiga...mas é muito atraente. Tem qualquer coisa de magnético...Olha e se fossemos jantar?





Aiai

Lisboa, Maio de 2010



Tinham-se casado por amor. Dois jovens sedentos de vida. De mar e sol. Uma vida boa. Jovens, alegres, inteligentes e educados, a viverem numa casa enorme, novinha, com um óptimo jardim a dois km do mar.

A desejada gravidez finalmente germina!

Os nove meses seguintes foram plenos de preparação para receber o desejado filho.

O quarto ao lado dos pais foi preparado. Pintado de azul...

O berço foi almofadado e o enxoval preparado.

Na noite da lua cheia de Novembro as águas rebentam!

Na Alameda D. Afonso Henriques o parto inicia-se...

E de cezariana nasce o José ehehe

Com um sorriso aberto e o cabelo despenteado...

Os pais recebem-me em emoção de felicidade.

Sinto o corpo quente e protector dos meus pais.

Sinto as suas mãos macias a darem-me ternura.

Descanso no colo do meu pai.

Mamo em paz o leite da minha mãe.

Existe amor e ternura no ar.

A terra, as plantas à volta são bonitas e agradáveis.

Cheira bem.

Sinto o calor do aconchego.

Estou à sombra na praia junto ao mar.

Sinto a brisa.

Sinto o cheiro do mar.

A minha alcofa é confortável.

Está um calor bom.

A minha mãe ri.

O meu pai lê.

A minha mãe está grávida do meu irmão.

Tomamos banho os três.

O meu irmão nasce.

Que bebé tão fofo.

Podemos brincar?

Partilho o meu quarto.

Criamos cumplicidade.

O meu pai brinca comigo e ensina-me coisas divertidas.

Nasce a minha irmã.

Agora somos como uma tribo...

Tenho a minha árvore sagrada.

E um baloiço amarelo.

E faço tendas de madeira e feno.

Brinco às tribos.

Danço e canto.

Rio e grito.

Admiro o fogo.

Sinto a terra.

Mergulho no mar.

Cresço a sorrir.

Livre e em confiança.

Estudo tranquilo.

Com o apoio e o carinho dos meus pais.

Lêem-me histórias à noite.

Brincam comigo durante o dia.

Nadam comigo no mar.

Sorriem.

Abraçam-se.

Fazem-me carinhos.

Sorriem.

Cresço mais.

Ando de barco à vela.

Desfruto o vento em paz.

Ouço o chapinhar do mar.

Sinto na pele os pingos salgados.

Respiro...

Cresço...

Remo vigorosamente de kaiaque

Sou um jovem bem disposto

Alegre...

Feliz...

Com o meu corpo, com a minha energia...

De bem com o mundo.

Em amizade com o mano e mana.

Apoiado pelo pai e mãe.

A descobrir o mundo.

Com amor.

A saber proteger-me.

A saber viver.

Em paz.

Entro na faculdade.

Ganho um ano de bagagem jurídica.

Ganho uma nova visão do mundo durante anos em mais de cinquenta países.

Sinto a paixão nos braços de mulheres que sorriem de bem com a vida.

Descubro os labirintos do amor...

Ganho uma nova visão da vida no amor pelo meu filho.

Em cinco anos formou-me em relações internacionais.

Em três anos tiro dois pós e um MBA.

Trabalho em África como cooperante, professor, consultor e como técnico superior do MNE.

Lanço uma empresa de consultoria em Portugal que se transforma numa holding com parceiros internacionais lideres em consultoria, media e hotelaria.

Cresço em duas relações duradouras. Experimento-me em paixões ardentes.

Respiro...

De bem com o universo.

Na maturidade dos 30 a atracção pelo auto-conhecimento.

O abrir de horizontes...

Uau o prazer puro...

A totalidade...

O sentido da existência...

A presença.

Cresço com a minha filha.

No meio dos 40...

A totalidade comigo mesmo.

Em carinho e suporte com quem eu sou.

Com todo o Amor.

A totalidade como homem.

A divindade dos amantes.

O milagre da vida.

A consciência.

A presença.

Amor.