Powered By Blogger

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Variações da Alma


Acordou quando o corpo não quis mais dormir. Levantou-se devagar, abriu as portas do quarto que dão para a serra. Inalou devagar o ar fresco da montanha e sentiu-se grato por estar vivo. Olhou com olhos carinhosamente marotos para a sua mulher nua ainda entre lençóis. Ela riu-se suave e dengosamente. Ele começou a sentir a sua kundalini a aumentar. Riu-se e aproximou-se sensualmente dela. Ela estende-lhe as mãos que o puxam e os lábios que o prendem. Os corpos entre lassam-se. Misturam-se em ritmos doces e quentes. Os seios generosos arrepiam-se e uma onda de prazer percorre o corpo dela. As pernas dele afastam as coxas quentes dela. O prazer instala-se. O tempo para. Já não sabem aonde estão. Já não pensam. Meditam. Encontram-se numa energia que funde com o divino. O milagre da vida acontece. Dois corpos, duas identidades, duas energias fundem-se numa nova energia. O desejo celular da preservação da espécie. A energia de estar vivo e o dom da vida. Um poder que nem um nem outro têm mas que juntos com toda a naturalidade rasga-lhes a pele. E liberta-os para o divino. Esperam que as respirações voltem ao ritmo normal agarrados um ao outro. Olhos nos olhos. Mãos que vagueiam suaves no corpo do outro. Respirações que se misturam. Calor macio de corpos de amantes. Deles próprios e do outro. Da vida e da natureza infinita. Não tomam banho quando tranquilamente se levantam. Nus saiem pelas portadas abertas. Sentem o ar fresco na pele e as gotas de orvalho nos pés. Começam os assanas. Aquecem com o movimento e com a respiração. Sentem a energia dentro de cada um. Voltam para casa e dirigem-se para a cozinha aberta para a sala. As laranjas apanhadas no jardim são espremidas com delicadeza. O pão cozido na véspera no forno a lenha é barrado com azeite e geleia de frutas. Tudo feito em casa. Com muito amor. Não que eles não tenham tido problemas na suas vidas. Não quiseram foi que as suas vidas fossem um problema. Eles tinham a solução. Aceitar o que esta lhe tinha dado, e tudo aquilo que esta lhes pudesse vir a dar. Conscientes de si próprios, respirando e atravessando as emoções que lhe eclodiam na alma. Com muita ética e respeito por si próprios selaram há muito um compromisso: aceitarem todos os momentos com a mesma paz e apoiarem a felicidade do outro. Resultava. Expandia-se. Sentia-se quando alguém se aproximava daquela casa na montanha perto de um lago alimentado por dois rios e várias nascentes. A terra era generosa naquele cantinho do mundo. E eles também.




Junho de 2007









Sem comentários:

Enviar um comentário