Tou aqui
bem perto de ti
flor da manhã
oh garça branca
que se espanta
no seu esvoaçar
sobre o mar
livre ao sentir
o quanto quero sorrir
Nov2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Manifesto anárquico
Novembro 2007
A anarquia é o regime ideal da ordem. Onde cada um é responsável pelos seus gestos e actos. Onde cada um tem consciência da responsabilidade dos seus actos.
Variações da Alma
Acordou quando o corpo não quis mais dormir. Levantou-se devagar, abriu as portas do quarto que dão para a serra. Inalou devagar o ar fresco da montanha e sentiu-se grato por estar vivo. Olhou com olhos carinhosamente marotos para a sua mulher nua ainda entre lençóis. Ela riu-se suave e dengosamente. Ele começou a sentir a sua kundalini a aumentar. Riu-se e aproximou-se sensualmente dela. Ela estende-lhe as mãos que o puxam e os lábios que o prendem. Os corpos entre lassam-se. Misturam-se em ritmos doces e quentes. Os seios generosos arrepiam-se e uma onda de prazer percorre o corpo dela. As pernas dele afastam as coxas quentes dela. O prazer instala-se. O tempo para. Já não sabem aonde estão. Já não pensam. Meditam. Encontram-se numa energia que funde com o divino. O milagre da vida acontece. Dois corpos, duas identidades, duas energias fundem-se numa nova energia. O desejo celular da preservação da espécie. A energia de estar vivo e o dom da vida. Um poder que nem um nem outro têm mas que juntos com toda a naturalidade rasga-lhes a pele. E liberta-os para o divino. Esperam que as respirações voltem ao ritmo normal agarrados um ao outro. Olhos nos olhos. Mãos que vagueiam suaves no corpo do outro. Respirações que se misturam. Calor macio de corpos de amantes. Deles próprios e do outro. Da vida e da natureza infinita. Não tomam banho quando tranquilamente se levantam. Nus saiem pelas portadas abertas. Sentem o ar fresco na pele e as gotas de orvalho nos pés. Começam os assanas. Aquecem com o movimento e com a respiração. Sentem a energia dentro de cada um. Voltam para casa e dirigem-se para a cozinha aberta para a sala. As laranjas apanhadas no jardim são espremidas com delicadeza. O pão cozido na véspera no forno a lenha é barrado com azeite e geleia de frutas. Tudo feito em casa. Com muito amor. Não que eles não tenham tido problemas na suas vidas. Não quiseram foi que as suas vidas fossem um problema. Eles tinham a solução. Aceitar o que esta lhe tinha dado, e tudo aquilo que esta lhes pudesse vir a dar. Conscientes de si próprios, respirando e atravessando as emoções que lhe eclodiam na alma. Com muita ética e respeito por si próprios selaram há muito um compromisso: aceitarem todos os momentos com a mesma paz e apoiarem a felicidade do outro. Resultava. Expandia-se. Sentia-se quando alguém se aproximava daquela casa na montanha perto de um lago alimentado por dois rios e várias nascentes. A terra era generosa naquele cantinho do mundo. E eles também.
Junho de 2007
Junho de 2007
O pequeno Mago do Amor e Harmonia
Lisboa, 10 de Julho de 2007
Era uma vez uma pequena mas poderosa tribo de fadas e magos bons.
Às vezes eles não sabiam aquilo que deveriam saber para que se sentissem bem com o que sentiam. Antes nem às vezes sabiam que sentiam. Mas dia após dia, terça após terça, iam descobrindo o que sentiam e como sentiam para que sentissem cada vez mais.
Estas fadas e estes magos já tinham percorrido muitas milhas nas águas das emoções, muitas léguas nas terras da dor e tinham muitos quilómetros pelo ar da alegria.
Aventureiros experimentados, mágicos sabedores, grounding voadores.
Os chefes desta tribo, Almaga a fada mestra e Antmago o grande espírita guiam esta tribo no processo de encontrar nutrição pelos campos do amor, da paz e do perdão.
Eis os membros da tribo:
O grã criador de totens dotado como uma águia perdigueira e maduro espiritualmente como um morango silvestre no início do verão. Procura criar relações tão transparentes e sólidas como os seus totens. Mas como os seus totens a transparência esconde espelhos e a grande solidez criativa é feita de aço duro. Os seus olhos já atravessaram muitas terras sem perderem a esperança. Como criador nato aquilo que procura nas águas macias do seu ser vai criar. Ou descobrir.
A bela passarinha chilreadora tinha vindo decidida da terra dos cavalos à procura do mundo das músicas que invocavam os deuses do universo. As músicas têm muitas notas que podem ser tocadas em muitos acordes e diferentes tons. Passarinha determinada não para de chilrear e o que quer (e o que não quer) vai encontrar. Depois de se libertar dos sons do medo. Dizem os grandes magos.
A grã desenhadora do arco-íris que depois de cuidar com detalhe da sua tenda rompe decidida as telas com cores surpreendentes como o seu sorriso. Descobriu o que é ser uma grande fada madrinha. Reservada cada vez menos nas suas receitas mágicas descobre a força da sua magia nos seus desenhos. A grã desenhadora do arco-íris pinta as cores do lar, enche o cesto de trabalho de cores e venera o divino feminino. Está pronta.
A elegante e poderosa feiticeira das tempestades com os cabelos soltos como o fogo que procurava o elixir da vida dentro dela mesmo e ensinamentos na escola superior de magia. Tinha apreendido muito sobre ela mas como tinha-se destinado a ir tão fundo nela que sentia que ainda tinha muito para descobrir.
O grã pássaro do mar que depois de muitas idas e vindas sobre os oceanos procura finalmente um pouco de terra quente no seu coração para plantar as sementes de vida que tem na alma. Às vezes perde-se no grande medo de ter sido enfeitiçado em não poder amar e ser amado mas recentemente descobriu que só ele é que pode fazer tamanha feitiçaria a si mesmo.
O grã construtor de tendas e corações com o coração ferido por uma flecha preparado está para tudo aquilo que a vida lhe pode dar depois de ter cuidado com todos os cuidados das suas princesas. Procura arrancar a flecha que um dia lhe perfurou o coração mas fá-lo com tanto cuidado que quando a arranca já está completamente cicatrizado.
O grã búfalo de olhos mansos não para de crescer, vive muito curioso com a vida mas teima em viver perto da lua e longe do sol e dos afazeres do mundo. Traz o grande ensinamento de ter descoberto há muito que podia viver como um mágico mas só mais recentemente descobriu que podia criar magias. Ao ritmo tranquilo das profundas descobertas vai-se revelando como grande feiticeiro de emoções.
A grã inventora da liberdade ensina caminhos novos cheios de aventuras aos mais novos e aos mais velhos e procura flores encantadas na floresta. As flores encantadas são muito sensíveis. Ou sabemos que elas são encantadas ou aparecem-nos como aqueles que não sabem que são encantadas – apenas menos ou mais bonitas.
A fantástica olhos de estrelas mais brilhantes que a cor do céu que depois de muitas descobertas e encruzilhadas decida lançou-se nos caminhos da grande aventura. Ela é a verdadeira fada heroína desta história. Da sua magia do olhar romperam novos destinos na terra. Nem com toda a sua magia ela sabe até aonde vai chegar porque a realidade é sempre mais surpreendente do que a imaginação e o processo mais profundo que o objectivo.
Tudo começou quando a fantástica olhos das estrelas mais brilhantes que a cor do céu conheceu o fantástico desenhador de florestas encantadas muito tempo atrás. Nessa altura eram os dois muito jovens e como jovens não queriam perder tempo.
Mas a vida sempre foi mais sábia e os grandes deuses da natureza mandaram-nos preparar melhor a grande aventura. Porque a grande aventura era mesmo a grande aventura.
Nessa aventura teriam que estar preparados para se confrontarem com o divino da natureza, com a viagem ao início dos tempos deles mesmos, com as contradições da existência e principalmente para as novas descobertas sobre aquilo que julgavam já saber.
E um dia finalmente a grande aventura começou para eles. Acho mesmo que a fantástica olhos de estrelas mais brilhantes que a cor do céu nem queria acreditar. O que era um bom sinal para os tempos novos que estavam a começar. Um novo mundo surpreendente
Acordar
ACORDAR
Ramelas nos olhos
Palavras soltas
Pensamentos saltitantes
Influência do sonho adormecido
Nos raios do sol
Do sonho não esquecido
Liberdade de certezas
Da segurança não tida
Em busca dos cantares dos pássaros
Que são
Na procura do cantar
Que somos
Pormenores que se perdem
Pormenores que se encontram
Divididos entre a calma e o stress
Valores perdidos
Princípios encontrados
Para tudo pôr em duvida
Ama-me finalmente
Porque eu sei que já o consigo…
Outubro de 1984
Eu Sou!
Lisboa, 9 de Março de 2008
A mãe sem rosto
A mãe amorosa e alegre
A tristeza de um olhar
O sorriso na cara
A alegria de viver
O sentido da existência
A luz do coração
A sombra da alma esquecida
A solidão acompanhada
A simplicidade de um vestido
A ternura de um abraço
O toque quente que é familiar
O adeus definitivo
A presença encontrada.
Eu sou a luz
Eu sou a escuridão
Eu sou a malagueta que arde e que é quente
Eu sou a cara do medo que se esconde
Eu sou a ousadia da montanha de ar límpido
Eu sou espaço vazio que me cerca, me assusta e que me dá a energia para a viver
Eu sou a culpa naquela cara atormentada
Eu sou a consciência daquele olhar
Eu sou a liberdade do mar.
Pensamentos com 21 aninhos...
Fevereiro de 1986
Acho que a vida de uma pessoa deve ter um objectivo último, por onde determina toda a realização da mesma. Este objectivo deve estar acima de tudo e de qualquer circunstância e é importante ter um método próprio para o ir desenvolvendo, defendendo e agindo para a realização deste. Ora o objectivo que eu penso mais puro e belo, talvez o único com razão de ser é a busca da verdade. A verdade porquê? A vida pode ser considerada ou simples ou complicada; talvez mais correctamente ás vezes simples e ás vezes complicada. Mas no fundo não passa de vida. Tem que possuir algum significado. Tem que ser coerente consigo própria. A verdade pode dar uma razão de existir, uma razão de lutar. Mas para quem escolheu como objectivo ultimo da vida, a verdade, tem um problema aonde a defender, como a descobrir, sim porque o que é a verdade? A verdade para mim é antes de mais a humanidade, a justiça natural, a coerência com o facto, da maneira que foi visto. Ora em termos práticos como realizar o objectivo? Antes do demais, o eu, ou seja aplica-la sempre e somente na sua conduta, na sua acção seja quais forem os preços, seja quais forem as alterações que pode dar a esta. Se não o objectivo em si não tem razão de existência. Outra coisa que há que ter em conta é que a verdade não é estática, como nada no mundo, a verdade exige um aperfeiçoamento constante, uma busca da sua pureza, uma aproximação à humanidade no homem, que não é mais do que compreender o homem como um animal inteligente. Mas este objectivo pode parecer demasiado longe da vida real, da vida do homem em relação ás condições naturais. Não se for conduzido com a compreensão da realidade animal, como também vegetal e geográfica visto que o homem não pode e não deve ferir mais do que já fez a estas realidades que o fizeram a si próprio homem. O homem tem que se integrar no mundo natural. Protege-lo utilizando a sua inteligência. Respeitar o meio e a verdade para o homem respeitar a sua origem, a sua integridade o seu futuro. O homem deve estar preparado, como animal predador para se auto-defender, de se “auto-sobreviver” na realidade natural e humana. È esta a verdade da sobrevivência que deve reger o homem tanto em relação ao mundo natural como ao mundo mais agressivo, o mundo humano. Mas deve estar preparado da maneira mais simples para o conseguir. Nesta faceta humana também deve ser tentado o aperfeiçoamento que implica sempre uma aproximação à simplicidade e pureza ou seja à verdade. Toda a acção e pensamento podem ser aperfeiçoamento constante para se atingir níveis mais simples e puros. O aperfeiçoamento e nunca a perfeição porque a perfeição é para seres limitados e o homem não o é,. Deve ser a linha da vida uma subida constante. O homem dos nossos tempos parece abdicar cada vez mais da sua capacidade animal ou seja da sua capacidade de sobreviver na verdadeira acepção da palavra ou seja o ultimo caso e da sua capacidade animal inteligente visto que parece usar cada vez mais o pensamento e a capacidade de racionar para realizar tarefas iguais ou parecidas, ou seja sem significado com a repetição. Parece que busca a monotonia como a realização da sua inteligência. É necessário ao homem, a todos os homens abrirem as mentalidades para a apreensão de culturas e hábitos diferentes, para a criação de outros, para a discussão mental, para o aperfeiçoamento psicológico porque o homem de hoje parece cair no senso comum, mais ou menos rectilíneo conforme as circunstancias. Só o curva quando tira proveitos mais ou menos materiais disso. Ora o homem pensa em curvas e ondas e é nessa sintonia que deve trabalhar. As ondas não param, não vale a pena desligar ou baixar o volume é pôr o volume no máximo, salvo tempos de repouso, e deixar-se conduzir pelas ondas, que são ele próprio, que são a sua própria capacidade de ele se auto-intitular superior aos animais. Não seja ele robot e os animais instinto. Seja ele instinto e inteligência, sobretudo capacidade criadora, que foi o que levou a distinguir dos outros animais e capacidade reflectora que leva ao aperfeiçoamento. Prefiro considerar a diferença entre o homem e os restantes animais como a capacidade específica inteligência, ou como um animal diferente nunca superior. Talvez se for a considerar o homem de um ponto de vista convencional, é o animal que para construir teve que destruir mais do que necessita e assim como construir o que também não necessita.
Até já
Até já
A vida é luz
A morte também
A cor preta é a ausência de cor
Mas se misturares todas as cores também obténs preto
A vida é isto!
Contradições, dicotomias, paradoxos…
A morte também!
A vida é morte
A morte é vida
Vive na luz
Porque sabes o que é escuridão.
Atlas fazes aqui falta.
Mas vais estar sempre presente
17 Setembro 2008
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